quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Novo, de novo

Te convido agora, leitor, a pegar aquele seu computador velho que está jogado em baixo da cama a anos, que você não sabe se funciona e que só não foi pro lixo porque ninguém quer ficar cheio de pó.

Eu vou procurar o meu, e minha próxima tarefa é deixá-lo como novo. Esses computadores velhos são muito úteis, mas as pessoas esquecem que já acessavam a internet, imprimiam textos, mandavam emails, escutavam música e assistiam vídeos com eles - pensam que precisam de um computador de última geração.

Claro, não podemos esperar um desempenho estonteante do computador, mas tarefas rotineiras podem ser feitas sem maiores complicações, se configurado corretamente.

Então, se você nunca abriu um computador, ou não tem experiência com manutenção, essa é a hora de aprender. E a única maneira de aprender é colocando a mão na massa, ou melhor, no gabinete.

A restauração divide-se nas seguintes etapas:
  • Identificação do hardware
  • Limpeza física, interna e externa
  • Organização interna e retirada de componentes desnecessários
  • Otimização da BIOS da placa mãe
  • Instalação do sistema operacional
  • Configuração do sistema operacional
  • Análise dos resultados
Colocarei aqui uma postagem por etapa, talvez mais se for necessário. Se você acompanhar, e colocar em prática simultâneamente, vai aprender muito sobre montagem e manutenção de computadores. Caso tenha dúvidas, dicas ou quer compartilhar experiências, sinta-se a vontade. Creio que será um grande aprendizado, inclusive para mim.

Agora, enquanto preparo para a primeira etapa, que tal ligar para seu tio, primo ou colega que tenha um computador antigo fora de uso, e pedir para deixá-lo novo, de novo?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tecnologias emergentes: Processadores 64 bits (parte 2)

Já foi falado que processadores x86-64 detém uma vantagem, velocidade, sobre os x86-32. Mas essa vantagem é relativa, principalmente com relação a quantidade de memória RAM que o computador possui.

Programas escritos em 64 bits consomem, naturalmente, mais memória RAM que os de 32 bits. Por exemplo.: se o Firefox consome 100 Mb de RAM num sistema 32 bits, vai consumir 160 Mb num sistema 64.

No entanto, existe um limite de memória para sistemas 32 bits, que é 4Gb. Sistemas 32 bits não conseguem reconhecer mais que 4Gb de RAM, e ainda usam parte dela para reserva. O resultado é que num sistema 32 bits com 4 Gb de RAM você pode utilizar de 2.8 a 3.5 G para o sistema, pois o resto fica de reserva. O tamanho da reserva varia conforme o modelo de placa mãe e processador.

Se você utilizar um sistema 64 bits pode colocar até 128 Gb de RAM que não haverá perdas. Mas se você tem 3 Gb ou menos, é melhor colocar um sistema 32 bits, pois ele consome menos memória, e consegue lidar com 3Gb (é o limite, mas funciona bem). Em resumo, só utilize sistemas 64 bits se você tiver 4Gb de memória RAM ou mais.

Algumas questões comuns, respondidas:
-Como faço para descobrir se meu processador é de 64 bits?
No Windows você vai precisar de um programa, o CPU-Z. Para fazer o download, clique aqui. Ao abrir o CPU-Z, procure no campo "instructions" o valor "x86-64" ou "EM64T". Se um dos dois estiver lá, seu processador é 64 bits.


No Linux e Mac OS, abra um terminal e digite o seguinte comando:
getconf LONG_BIT
O número que aparecer é o número de bits que o seu processador suporta.

-Eu tenho um processador 32 bits. Posso instalar um sistema 64 bits de alguma maneira?
Não, de jeito nenhum.

- Processadores 64 bits podem executar programas em 32 bits?
Sim, com desempenho igual ao de um processador 32 bits.

-Posso instalar programas 64 bits em sistemas 32 bits?
Não, de jeito nenhum

-Posso instalar programas 32 bits em sistemas 64 bits?
Sim, alguns programas podem ser instalados, mas geralmente é por meio de gambiarras. E não pense que ele será mais rápido por causa disso - o desempenho será idêntico a um sistema 32 bits.

-Meu sistema operacional é 64 bits?
Se você usa o Windows XP, provavelmente não. Em todo caso, aperte "Win+R" e execute "msinfo32.exe", sem aspas, para descobrir. No Windows Vista e 7, a informação pode ser encontrada nas propriedades de "Meu computador". No linux e mac OS, abra um terminal e execute "uname -r". Se aparecer 386, 486 ou 686, é 32 bits. Se aparecer x86-64, é 64 bits.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tecnologias emergentes: Processadores 64 bits (parte 1)


A família de processadores mais utilizada em computadores pessoais é a x86, criada pela IBM. Essa família é composta pelos processadores de 32 bits, chamados de x86-32, e pelos processadores de 64 bits, chamados x86-64.

Bits é um termo técnico, portanto não se desespere se você não sabe o que significa. Um bit, a grosso modo, é um sinal elétrico que diz se uma coisa deve, ou não, ser feita. Geralmente usa-se o "zero" para negar, e "um" para confirmar. Você também pode imaginá-los como um interruptor de luz: ligado ou desligado.

Pois dentro do computador tudo é feito com "zeros" e "uns". O processador, a memória, o HD, todos "falam" uns com os outros mandando esses sinais elétricos. A velocidade com que esses dados são transmitidos é chamada de FSB, e quanto mais alto FSB, melhor.

Os computadores desenvolveram a capacidade de mandar lidar com vários bits ao mesmo tempo. Quando falamos que o processador é 32 bits, estamos nos referindo a quantidade de bits que ele consegue trabalhar ao mesmo tempo. Um processador de 64 bits, portanto, consegue trabalhar simultâneamente com o dobro de bits que o processador 32.

Os processadores 32 bits são antigos, e estão no mercado mundial a décadas. Desde a época dos 286, 386, 486 até algums mais recentes, como o Pentium 4, da Intel. Aos poucos eles começaram a perder espaço para a tecnologia de 64 bits, mas ainda estão presentes no mercado.

Os processadores 64 atuais são uma evolução dos 32 bits. Eles conseguem trabalhar com o dobro da quantidade de bits que os antigos, o que, teóricamente, dá um ganho considerável de velocidade. Mas não é isso que ocorre na prática.

Para usar todo o potencial de um processador 64 bits os programas também devem ser feitos com instruções em 64 bits. Um x86-64 consegue executar instruções de um x86-32, mas é impossível fazer o contrário. Sendo assim, os desenvolvedores de software escrevem programas apenas para 32 bits, o que poupa trabalho e dinheiro, mas sacrifica a velocidade.

A partir do processador Intel Dual-Core e Core2Duo praticamente todos os processadores são 64 bits. O problema é que eles estão executando apenas softwares de 32 bits, e não tem seu potencial completamente aproveitado. O Windows XP, usado em praticamente todas as residências, é 32 bits. Exite a versão 64, mas você já usou uma?

Eu já utilizei diversos sistemas 64 bits, mas sempre volto para os 32, por causa dos programas disponíveis. Não adianta nada ter um sistema extremamente rápido para executar...nenhum aplicativo.

Felizmente a Microsoft, empresa responsável pelo Windows, anunciou que na versão posterior ao Windows 7 (que vai ser lançado em outubro) não vai haver versões 32 bits. Ela está forçando os desenvolvedores de software a criarem versões 64 bit. Quem não criar corre o risco de ficar de fora do mercado de computadores.

sábado, 5 de setembro de 2009

Tecnologias emergentes: SSDs

O HD, também conhecido por winchester, hard disk ou disco rígido, é a peça responsável por guardar todos nossos arquivos. Quando desligamos o computador, por exemplo, tudo que é importante é gravado no HD, e o resto é descartado. A única função dele é guardar dados, e não importa do que é feito e nem como funciona.

Dentre todos os tipos de HDs, destacam-se os HDDs e os novíssimmos SSDs. Os HDDs estão presente em praticamente todos os computadores, e funcionam como um LP ultra moderno - são formados por um disco de metal que é lido/gravado através de uma agulha super sensível. Para funcionar, o disco precisa estar girando, e a agulha precisar movimentar-se para lê-lo.

Os SSDs funcionam como pendrives. Não tem discos ou agulhas para gravar, eles recebem os dados e os armazenam em milhares de chips no seu interior. Logo, não possuem partes móveis, o que é uma propriedade excelente, pois partes móveis geram desgaste, e desgaste leva a erros de funcionamento.

Outra vantagem deles é que por não terem partes móveis, não tem atrito, reduzindo drásticamente a temperatura de operação. Quanto mais frio um computador trabalha, maior a sua eficiência e menor o seu consumo de energia.

O desempenho dos SSDs também é muito superior aos HDDs. Apesar de funcionar de maneira semelhante ao pendrive, ele opera em frequências muito maiores, o que faz com que leia e grave dados numa velocidade impressionante. Isso melhora o desempenho de tudo.Ao ligar o computador,por exemplo, já estamos lendo dados do HD. Depois de iniciado, toda vez que um programa é aberto é necessário ler novos dados. Praticamente todas as operações necessitam a leitura e/ou gravação de dados, e o HD influencia diretamente na performance de todas elas.

Pode sacudi-lo a vontade, os SSDs não são sensíveis a choques como os HDDs. Quando você sacode um CD ou DVD player é bem possível que a música pule ou trave. Mas se você sacudir um rádio nada acontece, certo? Esse é o mesmo princípio dos SSDs: não utilizar partes móveis.

Barulho? Isso é coisa do passado, os SSDs não fazem nenhum barulho. Silêncio ABSOLUTO!

Mas nem tudo é perfeito. Por ser uma tecnologia muito nova, possuem baixa capacidade de armazenamento e custo elevado (o maior SSD comercial tem 80Gb e custa cerca de R$1300).

Por enquanto é caro, mas daqui a alguns anos veremos muitos SSDs por aí, principalmente pra quem busca uma performance maior ou é pouco cuidadoso. O bom é que ele funciona sem a necessidade de configurações especiais ou de peças novas. Ou seja, basta plugar e sair usando que o computador nem vai notar a diferença.

Abaixo, um vídeo feito pela Samsung, mostrando os resultados de testes feitos com notebooks idênticos, exceto pelo HD.

Tecnologias emergentes: Processadores ARM


Já comentei aqui um pouco sobre os principais componentes do computador pessoal, e dentre eles o processador. Pois esse componente pode ser construído de diversas formas, que são chamadas de arquiteturas. Ele sempre esteve presente nos computadores, seja com uma única arquitetura dominante ou com várias brigando pela liderança do mercado.

As arquiteturas mais comuns são: x86-32, x86-64 e PPC. As duas primeiras constituem a família PC, sendo a primeira capaz de lidar com 32 bits e a segunda com 32 e 64 bits. Bits são a quantidade de dados capazes de serem processados ao mesmo tempo, quanto mais, melhor. A arquitetura PPC (ou PowerPC) era usada quase que exclusivamente por Macs, e não é mais usada desde 2005, pois esquentavam demais.

A arquitetura PC detém cerca de 99% do mercado de computadores pessoais, pois era, até pouco tempo atrás, a tecnologia mais barata e confiável. No entanto, um antigo tipo de processador foi melhorado e resurge com força total, o ARM.

Ainda não existem processadores ARM tão potentes quanto um processador comum, mas é questão de tempo até surgir um ARM equivalente a um x86. Além disso, o ARM é mais barato e gasta menos energia. Essas características estão atraindo a atenção de grandes empresas, principalmente a gigante Google, que recentemente anunciou que vai lançar um sistema operacional para concorrer com Windows, Linux e Mac OS.

Os processadores ARM tem tudo para fazer sucesso no setor de notebooks de performance baixa e moderada, pois esquentam menos, gastam menos energia (o que faz com que a bateria dure de duas a três vezes mais) e são mais baratos.

Muitos desenvolvedores de softwares estão correndo contra o tempo para adaptarem seus programas a essa nova arquitetura, sendo o Google a empresa que mais investe na nova tecnologia. Em contrapartida, a Microsoft anunciou recentemente que a nova versão do Windows não terá suporte a computadores equipados com processadores ARM.

O motivo do desinteresse da Microsoft pode ser explicado pelo kernel que o Windows usa (se você não sabe o que é kernel, aprenda aqui). O kernel linux, usado no Linux e Chrome (sistema do Google), já tem suporte ao ARM, apesar de ainda ser precário. O Mac OS é muito semelhante ao Linux, por isso a implementação é relativamente simples. No caso do Windows, será preciso um kernel inteiramente novo, ou uma grande gambiarra.

O importante é que nós, consumidores, só temos a ganhar com essa briga. Resta apenas torcer para que essa nova tecnologia se desenvolva cada vez mais e não caia no esquecimento...de novo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Obrigatoriedade nas escolas públicas

Esses dias tive que entregar um relatório numa escola pública. Tratava-se de um documento oficial e obrigatório, pois a escola exige que de tempos em tempos eu envie um texto contendo as atividades do meu estágio e a avalição do meu supervisor. Enviei os documentos um pouco atrasado e recebi um email que dizia o seguinte:
"Oi Bruno
O teu relátório está atrasado.
Segue em anexo a ficha para a justificativa.
Favor preeenche-la e nos enviar o mais rápido possível.
A justificativa vai ser avaliada pela coordenador da SUPE.
Janice"

Em anexo a mensagem, recebi um arquivo .DOC, ou seja, um documento do Micrososft Word, que faz parte da suite Microsoft Office. O problema é que esse tipo de arquivo só funciona corretamente com o Word, que além de ser pago (e a versão mais barata custa R$200) só é instalável no Windows (que na versão mais simples custa R$300). Ou seja, para abrir o documento eu preciso ter o Windows e o Office.

É um ABSURDO que os documentos exigidos por uma escola pública sejam em formato proprietário, obrigando os alunos a comprarem produtos específicos apenas para abrir um arquivo de texto. O custo da dobradinha Windows + Office fica em torno de R$500, no mínimo. Ou a escola disponibiliza os documentos em formato aberto e gratuito, ou dá cópias legalizadas de todos os programas necessários a todos os alunos.

Vou abrir uma reclamação formal e notificar a escola que isto está ocorrendo. Não sou obrigado a comprar programas de determinadas empresas quando tenho alternativas gratuitas e, na minha opinião, de qualidade superior. Enviar documentos em formato proprietário é uma escolha pessoal, mas a existência de uma solução gratuita alternativa é indispensável.

Fala-se tanto em combater a pirataria, mas o próprio governo está estimulando-a, mesmo que indiretamente. Afinal, é mais fácil instalar o programa de forma ilegal do que exigir os nossos direitos. Quem não tem condições de pagar pelo programa, ou simplesmente não quer fazê-lo, tem o direito de receber arquivos oficiais em formato gratuito.

O povo está acomodado e não vê que está sendo manipulado. As pessoas não aceitam receber ordens de qualquer pessoa, mas aceitam ter que pagar para abrir um documento de texto. No momento em que eu estiver prestando um serviço à alguém, vou enviar os documentos no formato adequado à essa pessoa, e não a mim. Uma escola pública presta um serviço à população, e não o contrário. Quando presenciar alguma situação semelhante, exija seus direitos. Os nossos direitos são as obrigações deles.

sábado, 22 de agosto de 2009

Diplomas e regulamentações


Há poucos meses atrás o STF determinou que não é necessário ter graduação em jornalismo para exercer a profissão, basta fazer o pedido para ganhar uma credencial. Ou seja, qualquer um pode ser jornalista, basta fazer o pedido (e pagar uma taxa, óbvio). Isso foi um desrespeito, aos jornalistas, por depreciarem todo o trabalho deles, e nós não-jornalistas, pois veremos em alguns anos uma queda significativa na qualidade dos serviços informativos.

Agora, o governo regulamentou a profissão analista de sistema, que significa projetar e implementar qualquer sistema informatizado, como uma rede telefônica, uma central de televisão, ou sistema de multas do Detran, por exemplo. No entanto, é exatamente o contrário do que ocorreu com os jornalistas. Vai ser necessário ser graduado para trabalhar na área técnica de computadores.

A lei foi aprovada nesta quarta-feira no senado. Segue abaixo alguns trechos da notícia, publicada no site http://www.senado.gov.br :

"Proposta que regulamenta o exercício da profissão de analista de sistemas foi aprovado nesta quarta-feira (...). A proposta (...), segue agora para análise (...), em decisão terminativa.
(...), somente profissionais com diploma superior em Análise de Sistemas, Ciência da Computação ou Processamento de Dados poderão exercer a profissão de analista de sistemas.
Já a profissão de Técnico de Informática poderá ser exercida pelos portadores de diploma de ensino médio ou equivalente com curso técnico de Informática ou de Programação de Computadores, expedido por escolas oficiais ou reconhecidas.
A proposta torna privativa do analista de sistemas "a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou pareceres técnicos".

A proposta original era a criação de um comitê de avaliação e organização da profissão. Foi vetada, pois era inconstitucional. Essa regulamentação divide opiniões, inclusive dos profissionais da área. Eu considero-a positiva, pois vai valorizar o trabalhador e sua dedicação à profissão. No entanto, é preciso ficar atento a criação de novas cobranças. É bem possível que você, profissional da área, tenha que pagar um imposto, curso ou carteira especial para continuar trabalhando. Regulamentar a profissão é importante, mas "eles" querem tirar o nosso dinheiro. Fique ligado!